Cuidado com as vitrines

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Cuidado com as vitrines

É inegável o fato de que somos atraídos por aquilo que vemos e é inegável também que a sociedade de agora é mais visual do que as sociedades passadas. Somos o tempo todo bombardeados por propagandas, informações, imagens de todo tipo, outdoores, fotos, painéis eletrônicos em certos ambientes, apelos de filmes, séries, sem contar, o excesso de exposições nas redes sociais. As coisas se atualizam de forma muito acelerada, o novo rapidamente se torna obsoleto e a maioria das pessoas se sentem obrigadas a acompanhar todo esse ritmo frenético da atualidade. Nisso tudo, paramos de analisar de forma mais racional, se aquilo que nos atrai tanto é realmente a melhor opção, a melhor saída, a melhor pessoa, a melhor carreira, a melhor compra, a melhor relação…

Somos atraídos para aquilo que achamos ser o melhor caminho, para aquilo que nossos olhos consideram como sendo bom. É a “campina verde” de Ló (Gênesis 13), o sobrinho de Abraão, que após se separar do seu tio, escolheu a terra boa, fértil, plana e bem irrigada para morar, onde ele olhou o melhor pasto para seu gado, mas não avaliou se seria o melhor local para sua família. Essa campina estava próxima à Sodoma (e Gomorra), onde acabaram indo morar, e devido a essa escolha errada, as consequências foram trágicas: perderem tudo o que tinham, a mulher de Ló morreu e ele e as filhas também quase perderam suas vidas. Diferente de Abraão que ficou na parte pedregosa, seca e montanhosa, mas que prosperou muito, pois ali ele tinha o imprescindível, a presença de Deus.

É interessante notar que, quando estamos diante de uma vitrine num shopping, a gente não imagina que aquele ambiente foi pensado minuciosamente para nos encantar: a projeção das luzes, a escolha do produto a ser exposto, a decoração e harmonia são perfeitos para chamar a nossa atenção. O preço geralmente é colocado numa plaquinha bem pequena, a não ser que esteja em promoção ou liquidação. Ficamos muitas vezes tão maravilhados com aquela vitrine que não pensamos em coisas, como: eu realmente preciso desse produto? Já não tenho outros parecidos em casa? O preço é viável? Estou em condições financeiras para essa compra?… E se pensamos essas coisas, logo, procuramos inventar para nós mesmos – é assim que nossa mente funciona – alguma vantagem na aquisição do produto. De fato, o que queremos é comprar e às vezes, ou quase sempre, o glamour do produto não é o mesmo quando se chega em casa e nos arrependemos da compra. Assim é nas nossas vidas, muitas vezes, aquilo que tanto desejamos, depois de conseguirmos, já não faz tanto sentido, isso quando as consequências não são piores.

O tempo todo nós tomamos decisões, desde as mais simples, como: bebo chá ou café? Assisto um filme ou leio um livro? Até as decisões mais complexas, como: devo ou não me casar com aquela pessoa? Vou embora ou não do meu país? … E nossas decisões, geralmente, estão bem mais calcadas na aparência das coisas, do que nas suas possibilidades e consequências. Eva tinha a opção de comer ou não do fruto que Deus havia proibido, mas a Bíblia diz que: “E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos… tomou do seu fruto e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela”. (Gênesis 3:6). A continuidade dessa história todos nós sabemos… Nós percebemos que Eva foi atraída pela beleza do fruto, mesmo sabendo que a ordem inicial de Deus era “não comerás” (Genêsis 2:17). E quantas vezes o Senhor nos alerta através da Sua Palavra para não fazermos algo e nós insistimos, ou alguém nos aconselha e não damos crédito, ou o próprio Espírito Santo nos alerta e não estamos atentos à Sua voz. E depois vêm as consequências dessa escolha errada, consequências que, às vezes, interferem em todo o curso da vida, e por vezes, também na eternidade.

O que é muito aprazível aos olhos, muito cheio de “vantagens” ou muito fácil, pode esconder grandes armadilhas: o emprego em outra cidade ou país; aquele casamento que os pais não concordam, mas a pessoa é bonita e rica e a paixão é grande; aquela amizade que consideramos maravilhosa, mas tem gente alertando que não é assim; aquele negócio de poucos riscos e muitos benefícios e tantas outras situações que poderíamos listar aqui. São as vitrines da vida, que podem nos custar muito caro!

Se analisarmos um pouco, até aquilo que comemos, escolhemos mais pela aparência do que pelo seu valor nutricional e aquilo que não é considerado saudável agrada muito mais do que os bons alimentos. As guloseimas infantis mesmo, são sempre coloridas e atrativas. Mas, como em tudo na vida, as consequências aqui são certas, sendo estas boas ou ruins, tanto para quem se alimenta bem, como para os outros.

Dessa forma, não podemos nos deixar guiar apenas pela aparência das coisas, por suas facilidades e vantagens, pois aquilo que vale realmente pena, geralmente o custo é alto, a dedicação é maior e o principal, tem que ter a aprovação de Deus. É melhor percorrer um longo caminho sabendo dos seus obstáculos, do que seguir num atalho obscuro e sem a certeza do destino final. E mais: qualquer decisão que tomamos fora da vontade de Deus, torna-se em caminho de morte. Mas se Deus estiver presente em nossas escolhas, não precisa temer coisa alguma, pois o deserto se transforma em manancial, o fogo perde o seu poder e o leão faminto tem sua boca fechada.

 

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